
A taxa de desemprego entre as mulheres na região metropolitana de São Paulo no ano passado registrou seu menor patamar em 24 anos, segundo a pesquisa ‘‘A presença feminina no mercado de trabalho em 2013’’ feita em parceria pela Fundação Seade e o Dieese, e divulgado nesta quinta-feira. De acordo com o trabalho, a taxa de desempregadas na região chegou a 11,7%, o segundo menor índice desde o início da pesquisa – em 1989, o desemprego foi de 10,6%. Em 2012, a taxa foi de 12,5%.
Segundo o Seade, o fato se explica pela menor número de mulheres no mercado de trabalho e a relativa estabilidade do nível de ocupação. Para Alexandre Loloian, economista e coordenador de análise da pesquisa, o nível recorde de desemprego em 25 anos é um fato a ser comemorado tendo em vista a atual situação econômica do país.
- O fato positivo da pesquisa é que temos uma ocupação crescentes, mas o nível de desemprego é o menor em décadas. Sabemos que não é uma taxa baixa, mas para a situação econômica que vivemos é um fato para se destacar. Tendo em vista a série histórica, é algo para exaltarmos – explicou o analista.
- O desemprego chegou a esse ponto em função da não inserção de mulheres mais jovens no mercado. A taxa de participação diminuiu. Mas estas mulheres não procuram emprego. Permanecem fora do mercado, vivem com a renda familiar e procuram uma qualificação ainda maior. Além disso, caso elas procurassem ocupação, a procura por emprego seria bastante complicada em função da restrição de vagas.
Para os pesquisadores, a queda na procura de empregos em faixas etárias mais baixas vêm de encontro ao fato da renda sustentar essas pessoas fora do mercado. Os dados do estudo mostram que a presença da mulher no mercado de trabalho em 2013 decresceu a 55,1%, ante os 56,1% registrados em 2013.
- A taxa de participação está muito ligada ao desempenho da economia brasileira. Se essa pesquisa feito no Rio daria o mesmo resultado. A economia andou de lado em 2013, sem variações positivas ou negativas. A ocupação não cresceu e muitas pessoas desistem de pressionar o mercado. Quando uma pessoa fica sabendo de muitas oportunidades, ela se interessa em entrar no mercado. O caso contrário funciona da mesma forma – avaliou Alexandre.
O estudo ainda destaca o aumento significativo de mulheres empregadas com carteira assinada no setor privado. Em 2013, o acréscimo foi de 3,3% se comparado ao ano anterior. Já entre os homens, este crescimento foi de apenas 0,2%. Além da alta na taxa de empregos formais, os não-formais sofreu forte queda entre mulheres e homens no setor privado: -10,6% e 4,2%, respectivamente.
Diferença salarial diminuiu, mas segue alta
Sobre a renda das mulheres na região, acréscimo pequeno nos vencimentos em relação a 2012. O valor por hora foi de R$ 8,73 no ano passado, 0,8% superior ao visto no ano anterior.
Mas, se comparados aos rendimentos dos homens, as mulheres conseguem diminuir a diferença sobre a renda. Em 2013, os homens tiveram decréscimo em seus rendimento: -1,3%. Com isso, o rendimento médio feminino correspondeu a 77,1% dos recebidos pelos homens no ano.
- Essa diferença segue muito alta. Ainda existe um preconceito para a contratação de mulheres. Mas essa taxa vem diminuindo e elas estão buscando ainda mais qualificação. A diferença tende a diminuir, mas esbarra nesse receio do empregador – lembrou Alexandre Loloian.
Fonte: O Globo
Interior do Brasil passa capitais na criação de empregos
As grandes cidades lideravam a abertura de postos formais no País desde 2005, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
Os números do Caged revelam que o interior de nove Estados (Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul) foi responsável pela abertura de 340.881 postos formais na série sem ajuste, enquanto as áreas metropolitanas empregaram 211.190 pessoas. Apesar de o levantamento não abranger todo o País, a representatividade desses Estados é expressiva. Juntos, foram responsáveis por 552.071 empregos formais, de um total de 730.687 criados no Brasil em 2013.
A vitória do interior também ocorre na análise da série ajustada de 2013. Nesse recorte, o interior criou 465.542 empregos, e as áreas metropolitanas, 331.229 postos. A série sem ajuste é a preferida pelo governo e engloba as informações enviadas pelas empresas sobre admissões e desligamentos para o governo dentro do prazo estabelecido.
A análise detalhada dos números da série sem ajuste do emprego formais feita pela LCA Consultores mostra que, dos cinco grandes setores empregadores da economia, quatro tiveram melhor desempenho no interior: indústria, construção, comércio e serviços. A exceção foi a agricultura, mas o desempenho ruim pode ser explicado pela baixa participação das grandes cidades nesse setor.
Um forte fator que contribuiu para a superioridade do interior no ano passado é a política de reajuste real do salário mínimo. Cidades menores costumam depender mais do mínimo para manter a economia local aquecida. Em 2013, a alta real foi de 2,7%, acima do 1,8% do ganho real do trabalhador médio do Brasil apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“O salário mínimo também é um indexador de quem é beneficiários do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Dois terços dos previdenciários têm o salário ligado ao mínimo, o que beneficia em boa medida o interior”, diz Fabio Romão, economista da LCA. “Em várias cidades do Nordeste e Norte faz muita diferença ter um beneficiário do INSS no domicílio. Ele continua contribuindo com a família, inclusive para o sustento até dos netos.”
Impacto
É justamente o impacto do mínimo, aumentando o poder de consumo, que pode explicar o bom desempenho da indústria no interior – o setor criou 61.097 empregos formais em 2013 na série sem ajuste, acima dos 27.079 abertos em 2012. Nas áreas metropolitanas, houve retração de 163 nos postos.
O interior concentra boa parte da indústria voltada para a produção de bens não duráveis, setor mais resiliente à variação de renda, mas também mais impactado pelo reajuste do mínimo. No ano passado, por exemplo, a indústria de alimentos e bebidas contratou 21.268 empregados no interior e 13.240 em áreas metropolitanas.
O setor de construção também ajudou a impulsionar o interior dos Estados. O programa habitacional do governo federal Minha Casa, Minha Vida 2 beneficia brasileiros com menor renda, cuja maioria está no interior. Além disso, o boom do setor começou nas áreas metropolitanas e a desaceleração, ao longo dos últimos anos, atinge naturalmente essas regiões primeiro.
A desaceleração das áreas metropolitanas não foi apenas apontada pelo Caged. Embora não apure somente o emprego com carteira de trabalho, a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), divulgada mensalmente pelo IBGE e concentrada em seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo e Porto Alegre), apontou em 2013 uma desaceleração no ano passado da população ocupada nesses locais. A alta foi de apenas 0,7% em relação a 2012, para 23,116 milhões de pessoas – a menor variação já registrada pela pesquisa em toda a série histórica.
“Desde o ano passado, a região metropolitana mostra um nível de contratação mais baixo”, diz Fernando de Holanda Barbosa Filho, economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
Na avaliação do pesquisador, um dos fatores que podem estar limitando a criação mais forte de emprego nas áreas metropolitanas é o desempenho mais fraco do consumo. Dessa forma, grandes setores empregadores, como serviços e comércio, estão sendo afetados e abrindo menos postos.
Fonte: O Estado de S. Paulo
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