

A UGT - União Geral dos Trabalhadores e demais centrais sindicais brasileiras (CUT, Força Sindical, CGTB e CTB) e da Rússia, Índia, China e África do Sul, realizaram no dia 15/7, o III Fórum do BRICS Sindical, em Fortaleza (CE).
O evento, paralelo ao encontro dos países que compõem o "BRICS" (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), debateu temas como: "Desenvolvimento Sustentável, Trabalho Decente, Inclusão Social, Diálogo Social e Ação Sindical.
O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, participou da abertura e ouviu dos dirigentes sindicais o pedido para que os trabalhadores tenham uma participação ativa nas decisões dos BRICS, e que esse grupo de países não se transforme numa ação mercantilista e de interesse de empresários, como ocorre em outros blocos econômicos. O ministro reconheceu também que o governo federal ouve mais os empresários do que os trabalhadores.
Presente na mesa das autoridades, o presidente nacional da UGT, Ricardo Patah, lembrou que, quando da formação do Mercosul, os trabalhadores foram os seus maiores defensores e agora não participam das decisões, sendo muitas delas prejudiciais aos interesses da classe trabalhadora. Para Patah, os países que formam o BRICS têm muito em comum, e por essa razão, é muito importante que o BRICS Sindical, com seu olhar cidadão, tenha a capacidade de influir nas decisões, evitando que os trabalhadores fiquem à margem da cidadania e passem a exigir empregos de qualidade, o fim da precarização, do trabalho infantil e que o crescimento econômico contemple também, os trabalhadores. "O BRICS é um importante bloco na política e na economia internacional. Seu peso econômico é inegável, a participação no PIB equivale à União Europeia. Por essa razão é também importante que os trabalhadores possuam o mesmo grau de participação”, disse Patah.
Já o presidente da UGT-PARANÁ, Paulo Rossi, lembrou que a China deverá ser a maior economia mundial já em 2014, mas é preciso que isso se transforme em mais direitos sociais para os trabalhadores. " Os países que compõem o BRICS representam cerca de 40% da população mundial, e chegou a hora dessa força de trabalho ser respeitada e ter assento nas discussões econômicas e sociais", ressaltou Rossi.
Ao final do evento, foi aprovada a "Carta de Fortaleza", com o posicionamento das entidades sindicais.
CARTA DE FORTALEZA - BRICS SINDICAL
01 – Nós, dirigentes sindicais da República Federativa do Brasil, da Federação Russa, da República da Índia, da República Popular da China e da República da África do Sul, representando os trabalhadores organizados em sindicatos de nossas nações, reunidos em Fortaleza, Brasil, em 15 de julho de 2014, simultaneamente à Cúpula de Chefes e Governos de Estado dos países BRICS, no espaço denominado BRICS SINDICAL, na intenção de apoiar os esforços de consolidação desta estrutura de governança global.
02 – Nós reafirmamos os princípios contidos em nossa Declaração de Moscou que se expressam em:
- Defender os interesses e direitos legítimos da Classe Trabalhadora dentro de uma dimensão social progressista;
- Estabelecer o diálogo e a cooperação para a promoção da paz, da segurança e do desenvolvimento global;
- Trabalhar conjuntamente com os outros países com base em normas universalmente reconhecidas do direito universal, especialmente com as normas e princípios da Organização Internacional do Trabalho, (OIT).
03 – Salientamos que vivemos, neste momento, uma profunda crise do sistema capitalista, que teve início nos Estados Unidos e na Europa, porém se espraiando para os demais continentes, variando de grau e de intensidade conforme a orientação macroeconômica e fiscal das nações. Destacamos que esta crise tem caráter sistêmico e estrutural e está profundamente interligado com o poderio da oligarquia financeira internacional.
04 – Nós condenamos as soluções adotadas pelo capital e pelas nações para amenizar os seus efeitos que buscam jogar sob a classe trabalhadora o ônus da crise: são 50 milhões de desempregados em todo o planeta, redução de direitos e benefícios, ampliação das jornadas de trabalho, flexibilização dos contratos de trabalho, soluções que ao nosso ver ampliam os efeitos deletérios da crise.
05 – Reconhecemos que o mundo está passando por rápida mudança em sua geopolítica, avançando para uma posição de multipolaridade rumo a uma nova ordem mundial. Reconhecemos que os países BRICS - liderando os países emergentes e em desenvolvimento - têm desempenhado papel ativo como motores do crescimento econômico e da prosperidade no sentido de reduzir os desequilíbrios no desenvolvimento econômico global e promovendo inclusão social.
06 – Destacamos a importância da integração regional soberana e solidária para o crescimento sustentável e o bem-estar dos povos, como modelo de desenvolvimento econômico, buscando ampliar o investimento no setor produtivo e na infraestrutura, bem como na educação, ciência e tecnologia, como forma de gerar mais e melhores empregos e salários.
07 – Concordamos com a visão de que os esforços para combater a pobreza, exclusão social e a desigualdade devem levar em conta as necessidades especiais dos países em desenvolvimento, especialmente os países menos desenvolvidos, pequenas ilhas e países africanos tendo como objetivos o desenvolvimento econômico e o desenvolvimento social, com a proteção social, o pleno emprego e a valorização do trabalho.
08 – Vemos com satisfação os objetivos contidos na Declaração de Nova Delhi no que se refere à necessidade de aceleração do crescimento e desenvolvimento sustentável, em conjunto com a segurança alimentar e energética, encontram-se entre os desafios mais importantes da atualidade e são centrais para o tratamento do desenvolvimento econômico, erradicação da pobreza, combate a fome e desnutrição, bem como as medidas de criação de empregos necessários à melhoria dos níveis de vida.
09 – Compartilhamos da visão que a atual governança global foi concebida em circunstancia diversa do atual cenário exigindo reformulação justa e inclusiva das Economias Emergentes e dos Países em Desenvolvimento necessitando de transformações na governança global. Neste sentido apoiamos a exigência por uma nova arquitetura monetária e financeira internacional mais aperfeiçoada para garantir a manutenção da estabilidade e da integridade do sistema monetário e financeiro internacional; a reforma das Nações Unidas, bem como do seu Conselho de Segurança, para assegurar maior eficácia, eficiência e representatividade; e, a reforma da governança e das cotas do FMI.
10 – Neste sentido, instamos aos Chefes de Estado e de Governos a reconhecerem nosso Fórum Sindical - BRICS SINDICAL - como espaço institucional do BRICS, quando será possível formular propostas e compromissos relevantes para o atendimento dos princípios aqui expostos, em consonância com a Declaração de Sanya referente aos diálogos em torno da proteção social e do trabalho decente.
11 – Conclamamos também aos líderes de nossas nações a reconhecerem nossa conferência como parte integrante da programação oficial das Cúpulas Presidenciais. Manifestamos nosso interesse em ter o mesmo tratamento dispensado ao Fórum Empresarial.
12 – Por fim, solicitamos o agendamento oficial de uma reunião de nossos representantes com os Chefes e Governos de Estados para apresentação de nosso documento contendo uma Plataforma de Direitos e Benefícios da Classe Trabalhadora.
13 – Assumimos o compromisso de que nossa representação será a mais ampla, plural, democrática e inclusiva dos trabalhadores e trabalhadoras de nossas nações coincidindo com os princípios e objetivos desta cúpula.
Fonte e fotos: UGT-PR
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